Compostos naturais de plantas inibem bactéria do cancro cítrico

Pesquisa da UFSCar aponta compostos naturais de plantas como alternativa sustentável ao controle do cancro cítrico

Pesquisadores do Laboratório de Produtos Naturais da UFSCar investigam caminhos mais sustentáveis para o controle de pragas na citricultura brasileira. Um estudo conduzido pela doutoranda Chrystiaine Helena Campos de Matos, no Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ-UFSCar), avaliou substâncias naturais extraídas de plantas e identificou compostos capazes de inibir, em laboratório, o crescimento da bactéria responsável pelo cancro cítrico.

O cancro cítrico é uma doença que acomete a citricultura e tem como agente causal a bactéria Xanthomonas citri, a doença se espalha com facilidade entre plantas cítricas, causando lesões em folhas, frutos e galhos, o que compromete a produtividade e gera prejuízos econômicos. Atualmente, o controle da doença depende majoritariamente na aplicação intensiva de compostos à base de cobre, os quais, além de levantarem preocupações ambientais e riscos à saúde humana, têm favorecido o surgimento de populações de Xanthomonas citri com diferentes níveis de resistência a esses agentes.

A infecção ocorre quando a bactéria se instala nos tecidos vegetais e explora aberturas naturais da planta para se multiplicar. Além disso, conseguem essa exploração também por meio de ferimentos da planta. Em resposta, a planta ativa seus próprios mecanismos de defesa, associados ao reconhecimento do patógeno e à indução de respostas imunes.

Nesse contexto, as plantas se destacam por produzir uma ampla diversidade de moléculas naturais com função defensiva. Entre elas estão os alcaloides piranocarbazólicos isolados de plantas da Família Rutaceae, que demonstraram atividade antibacteriana frente à Xanthomonas citri. Esses compostos se mostraram capazes de interferir no crescimento do microrganismo, indicando potencial aplicação no controle do cancro cítrico.

Os resultados obtidos por Matos apontam que cinco alcaloides piranocarbazólicos isolados no estudo apresentaram atividade antibacteriana consistente. A exploração desse repertório químico produzido naturalmente pelas plantas é uma estratégia para reduzir o uso extensivo de agroquímicos agressivos, substituindo-os por alternativas produzidas na própria natureza.

O trabalho foi desenvolvido sob orientação de Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva, docente do Departamento de Química da UFSCar.

Para mais detalhes sobre o trabalho confira os resultados que foram apresentados no10th Brazilian Conference on Natural Products.